Compras de mercado mais baratas: hábitos que baixam a conta
O jeito mais eficiente de economizar no supermercado é decidir o que comprar antes de entrar na loja e, lá dentro, comparar pelo preço por quilo ou por litro, não pelo preço da embalagem. Só essas duas mudanças já cortam boa parte das compras por impulso e das “promoções” que não são vantajosas. O resto vem de ajustes de hábito: escolher onde comprar cada tipo de item, testar marcas próprias e aproveitar o que está na safra. Abaixo, o passo a passo com exemplos.
O trabalho começa antes de sair de casa
Faça o inventário da despensa e da geladeira
Abra os armários e a geladeira e anote o que já tem. Parece óbvio, mas é comum voltar do mercado com o terceiro pacote de molho de tomate e sem o óleo que acabou. Olhe também a validade: o que vence primeiro entra no cardápio da semana.
Monte um cardápio simples para a semana
Não precisa ser detalhado. Basta decidir o que vai ser almoço e jantar na maioria dos dias. Com isso, a lista sai mais precisa e o desperdício cai, porque cada ingrediente tem destino. Pratos que aproveitam sobras, como arroz de forno, omelete de legumes e sopa, ajudam a fechar a semana sem comprar mais.
Leve uma lista e um teto de gasto
A lista organizada por setor do mercado (hortifruti, açougue, mercearia, limpeza) evita voltar pelos corredores, onde estão as tentações. O teto vem do orçamento: se a casa definiu R$ 1.200 por mês para mercado, isso dá cerca de R$ 300 por semana. Quem ainda não sabe quanto cabe pode partir de um orçamento familiar por categorias ou da divisão da regra 50/30/20, em que a comida do dia a dia entra nas necessidades.
Como economizar no supermercado na hora de escolher os produtos
Compare pelo preço por unidade de medida
Desde 2015, a Lei 13.175 incluiu na lei de afixação de preços a obrigação de informar, na venda a varejo de produtos fracionados em pequenas quantidades, o preço por unidade de medida: quilo, litro, metro ou outra unidade, conforme o produto. Esse número costuma aparecer em letras menores na etiqueta da gôndola e é o que permite comparar embalagens diferentes. Veja um exemplo com valores hipotéticos:
| Produto | Embalagem menor | Embalagem maior | O que compensa |
|---|---|---|---|
| Arroz | 1 kg por R$ 6,50 (R$ 6,50/kg) | 5 kg por R$ 29,90 (R$ 5,98/kg) | A maior |
| Café | 250 g por R$ 12,00 (R$ 48,00/kg) | 500 g por R$ 25,90 (R$ 51,80/kg) | A menor |
| Sabão líquido | 1 L por R$ 18,00 (R$ 18,00/L) | 3 L por R$ 45,00 (R$ 15,00/L) | A maior, se couber no mês |
| Iogurte | Unidade de 170 g por R$ 3,20 (R$ 18,82/kg) | Bandeja de 6 x 170 g por R$ 16,90 (R$ 16,57/kg) | A bandeja, se for consumida antes de vencer |
O café mostra por que a regra “embalagem grande sempre é mais barata” não vale. E o iogurte lembra que o desconto só existe se o produto for consumido: o que estraga na geladeira sai mais caro que qualquer embalagem pequena.
Teste as marcas próprias
Muitas redes vendem produtos com a própria marca, geralmente mais baratos que os líderes de categoria. Nem sempre a qualidade é igual, então teste um item de cada vez: arroz, feijão, papel higiênico, detergente e leite costumam ser boas apostas. Se aprovar, troca definitiva; se não, volta para a marca anterior sem prejuízo grande.
Olhe para cima e para baixo na prateleira
Os produtos na altura dos olhos tendem a ser os que a loja mais quer vender. As opções mais em conta costumam ficar nas prateleiras de baixo ou de cima. Vale uma olhada rápida antes de pegar o primeiro da frente.
Prefira frutas e verduras da estação
Hortifruti na safra fica mais barato e mais saboroso. Em vez de levar a lista fechada (“tomate, alface, maçã”), leve categorias (“duas frutas, duas verduras”) e escolha o que estiver com melhor preço no dia.
Onde comprar cada tipo de item
Nem tudo precisa ser comprado no mesmo lugar. Uma divisão que funciona para muitas famílias:
- Atacarejo: itens não perecíveis e de limpeza em maior quantidade, uma vez por mês. Confira se o preço de atacado exige levar um número mínimo de unidades.
- Feira e sacolão: frutas, verduras e legumes, especialmente no fim da feira, quando alguns feirantes baixam os preços.
- Mercado de bairro: reposição da semana, sem gastar com deslocamento.
- Compras em grupo: repúblicas e famílias vizinhas podem rachar fardos e embalagens grandes. As regras de divisão de contas entre amigos ajudam a acertar quem pagou o quê.
Coloque o transporte na conta. Se o atacarejo fica longe e a ida custa R$ 30 entre combustível e estacionamento, a economia precisa ser bem maior que isso para compensar.
Promoções, fidelidade e seus direitos no caixa
Promoção boa é a do que você já compraria
“Leve 3, pague 2” só vale se os três itens forem consumidos antes de vencer e se o preço unitário for realmente menor que o de outras marcas. Produtos em ponta de gôndola nem sempre estão em promoção; às vezes só estão em destaque.
Programas de fidelidade e aplicativos
Muitas redes dão desconto a quem se cadastra com CPF ou usa o aplicativo da loja. Vale para quem compra sempre no mesmo lugar. Só cuidado para não escolher o mercado pelo desconto em um item e pagar mais caro no resto da lista.
Preço diferente no caixa
Se o preço da gôndola for diferente do cobrado no caixa, a regra é clara: pela Lei 10.962/2004, havendo divergência entre os sistemas de informação de preço do estabelecimento, o consumidor paga o menor. Fotografe a etiqueta e mostre no caixa. Se a loja se recusar, procure o Procon da sua cidade.
Confira o cupom antes de sair
Itens passados duas vezes, peso errado no hortifruti e desconto do cadastro que não entrou são erros comuns. Uma conferida rápida no cupom, ainda na loja, resolve na hora.
Perguntas frequentes
Comprar o mês inteiro de uma vez é mais barato?
Para não perecíveis, costuma ajudar, porque reduz idas ao mercado e compras por impulso. Para frutas, verduras e laticínios, compras semanais evitam desperdício. O modelo misto, com uma compra grande por mês e reposições semanais, atende à maioria das casas.
Ir ao mercado com fome faz gastar mais?
É um conselho antigo e faz sentido na prática: com fome, lanches prontos e guloseimas parecem mais necessários. Ir depois de uma refeição e com lista reduz esse risco.
Marca própria tem a mesma qualidade?
Depende do produto e da rede. Muitas marcas próprias são fabricadas por indústrias conhecidas, mas a receita pode ser diferente. Por isso, o melhor é testar item por item.
Pagar com cartão de crédito no mercado é problema?
Não, desde que a fatura seja paga integralmente. O risco é parcelar compras de mercado ou usar o cartão porque o dinheiro do mês acabou. Se isso acontece com frequência, o gasto com comida está acima do que a renda comporta.
Vale a pena usar aplicativo de comparação de preços?
Pode valer para quem tem mais de um mercado perto de casa. Mas confira na loja: o preço exibido no app nem sempre está atualizado.
Checklist para a próxima ida ao mercado
- Veja o que já tem em casa e o que vence primeiro.
- Defina o cardápio da semana e faça a lista por setor.
- Leve um teto de gasto e respeite.
- Compare sempre pelo preço por quilo ou por litro.
- Teste uma marca própria por vez.
- Compre hortifruti da estação e, se possível, na feira.
- Confira o preço no caixa e o cupom antes de sair.
